Vale a pena arriscar em novas tecnologias?
Programar para o lado cliente é uma tarefa realmente divertida. Nunca gostei muito de programação compilada, como C, nem de scripts server-side, como PHP, apesar de ter simpatizado com Ruby. Mas nem tudo são rosas, e existem várias diferenças entre os browsers. Aliás, entre os browsers e o IE.
Existe muita coisa interessante na área de client-side pra se aprender hoje em dia. O problema é que algumas tecnologias só funcionam em softwares específicos, o que nos faz pensar se realmente vale a pena.
E aí? Avançar, e aprender alguma coisa diferente, ou estagnar, e se especializar no que já se domina? Isso é uma questão de gosto, e também de filosofia.
Na minha opinião, baseada na vida inteira que tenho pela frente, aprender novas tecnologias, mas que caminham para um certo padrão, como SVG, que já consta no W3C, pode ser muito útil, e trazer resultados no mínimo interessantes.
Mas também sou um entusiasta, e tenho admiração por muita coisa presente no Firefox (e algumas coisas do Opera): XUL, E4X, Canvas… Tecnologias pouco difundidas, relativamente recentes e, sem dúvida, muito poderosas para seus objetivos.
O problema é que algumas dessas tecnologias são quase-específicas, e aprendê-las restringe um pouco nosso campo de trabalho (em partes, já que será teremos um item a mais no currículo). Não acredita? Experimente morar em uma cidade atrasada, em que o pessoal pensa que Ajax é uma nova tecnologia da Macromedia (acreditem, ouvi essa pérola de um “desenvolvedor” Flash daqui). Isso quem já ouviu falar de Ajax, que é um número muito reduzido. Ninguém acredita em seu trabalho porque pra eles isso não existe. Novas tecnologias, principalmente as mais desconhecidas por quem compra nossos serviços, podem acarretar esse tipo de problema. A menos que você trabalhe com quem entende do assunto, e entende que você domina uma tecnologia com enorme potencial.
A solução que encontrei pra mim, que tenho um tempo livre considerável, é conciliar as duas coisas: especializar-se no que já existe e é conhecido (JavaScript e Ajax, no meu caso) na maior parte do tempo, e sempre que possível dar uma espiadinha em coisas novas. Não estou dizendo para virar um especialista em XUL, nem um guru em E4X, mas saber no mínimo o basicão, e com o tempo ir aumentando o conhecimento. Esse tipo de tecnologia é bastante promissor, embora talvez demore muito pra estourar. Já vi exemplos impressionantes usando JavaScript + XUL + SVG + Ajax, mas aí caímos na limitação do software.
Uma coisa que você deve ter em mente: isso se aplica apenas as linguagens client-side, que são interpretadas, e podem ter comportamentos diferentes (ou mesmo nem ter comportamento em alguns casos) em cada software. Em outros lados a coisa funciona de maneira um pouco diferente.
Tudo é uma questão de saber definir as prioridades, e dosar o novo e o velho. Adicionar alguns diferenciais em seu currículo nunca será ruim. E você, mantém-se atualizado, ou só especializa-se no que já conhece?
Voltei a falar sobre novas técnicas, sob uma óptica diferente, em Comodismo vs. Inovação.







Rapaz, que bom que você voltou a blogar. :)
Bom, eu, como já não tenho mais tanto tempo como tinha quando comecei a me aventurar pelo mundo do desenlvimento web, procuro sempre me especializar no que já sou bom (XHTML e CSS) e, vez ou outra tentar me aventurar em coisas novas. Me lembro que quando comecei eu procurei aprender XHTML/CSS a um nível avançado e depois fui dando uma lidas em Javascript, Ajax e PHP. Por isso, hoje sou especialista em XHTML/CSS e entendo um pouco dos outros três (de AJAX bem pouquinho).
Minha última “aventura” foi com Python e eu achei impressionante. Impressionante também é o fato de, pelo menos nos últimos 45 dias (!), eu não conseguir ter um tempo decente pra continuar estudando Python.
Por isso eu não posso me dar ao luxo de buscar sempre as coisas novas, por que senão vira aquela velha história de que “quem sabe de tudo um pouco, sabe, na verdade, de tudo um nada”.
Bom te ver por aqui, Jader. Uma coisa discordo: “quem sabe de tudo um pouco, sabe, na verdade, de tudo um nada”. Dá pra saber de tudo um pouco sendo especialista em alguma coisa sim (claro, se você tiver tempo livre). Não se aplica a todos os casos, mas é possível sim. É só traçar os objetivos, e não se desviar além da “área limite”. É só dosar…
Ae Julio, bom texto. Bora lá:
“Ninguém acredita em seu trabalho porque pra eles isso não existe.” – bom, acho que não devemos ficar falando de tecnologia isso, modismo aquilo, ajax, css, html e outras siglas pro cliente.
O cliente quer é ver o serviço funcionando da melhor forma.
Nem toque neste assunto com o cliente pois ele já irá pensar que isto aí é jargão pra encarecer o produto.
Em vez disto, apenas mostre outros serviços feitos (seus e de outras pessoas) e diga que o seu trabalho é neste estilo.
Um exemplo é o portfolio do Arthur ( http://www.arthurhenrique.com/blog/portfolio/ ). Simplesmente faça dizendo que terá a melhor qualidade do mercado.
Mostre um site bom pra ele e compare com algum concorrente seu que ele verá a diferença (se ele não ver, mostre pra ele – sem entrar em detalhes “técnicos”).
Hmm, não tinha pensado nisso. O problema, em se falando de Ajax, é que o cliente (pelo menos aqui) não vê muito a diferença entre Ajax e Flash (tecnologia dominante da redondeza). Pode não ser o mesmo em outros lugares, falo isso com a experiência que tenho daqui da cidade. Mas não custa tentar a idéia, Mico.
Sobre o flash realmente será uma briga feia onde o pessoal ainda tem a mentalidade de que a internet é igual a TV.
Cara, é um saco.
O pessoal acha que seu site tem que ter música, ser que nem comercial de TV.
Como tentar derrotar isto: fala pra ele que na internet o que importa É O CONTEÚDO.
Tente convencer a ele de que o cliente não está lá pra perder tempo vendo “animação” e muito menos pra escutar música.
O cliente quer é a informação sobre o produto, da forma mais rápida e acessível possível.
Um exemplo pessoal: Outro dia tava eu e a patroa atrás de lojas atacadistas de roupas aí de São Paulo. Cara, minha mulé que não entende nada de modismo web tava fula da vida por ter que esperar essas porcaria de animaçãozinha e não ter os modelos das roupas pra ela olhar.
É, concordo plenamente. Talvez um dia não mais precisaremos lutar contra esse tipo de “interatividade” excessiva…
Valeu pela opinião!