Comodismo vs. Inovação

Parar ou Inovar?

Linguagens de programação e frameworks de desenvolvimento surgem aos montes no ambiente web. De uma maneira ou outra, nossas velhas ferramentas acabam se tornando obsoletas. Por mais que tenhamos domínio sobre elas, o rendimento não se equipara a novas ferramentas, seja em produtividade, desempenho, facilidade de uso ou qualquer outro fator. Será que é hora de abandonar nossa velha forma de desenvolver para dar lugar a novas ferramentas?

As ferramentas com as quais estamos acostumados, como o PHP, por exemplo, foram criadas para resolver os problemas que tínhamos à época em que foram criadas, baseando-se nos métodos dessa época. Elas têm nos servido muito bem, e provavelmente ainda poderão servir por algum tempo mais. Mas a web muda, e as exigências quanto ao desenvolvimento nesse ambiente também. Não basta mais resolver um problema, esse problema deve ser resolvido de forma rápida e eficiente. Com a correria de hoje em dia, só PHP não basta mais.

Com o tempo, além de recriamos soluções para velhos problemas, novos problemas vão surgindo. A web não é mais um ambiente minúsculo como era há alguns anos atrás. Ela cresceu. Cresceu muito. A demanda por serviços, e por serviços cada vez mais rápidos é muito maior do que antes. Criamos novos problemas e precisamos de soluções para eles. Nossas antigas ferramentas não estão preparadas para tanto.

De uma forma ou outra, precisamos ser ágeis. Os frameworks estão aí para ficar. Como o capitalismo nos obriga a produzir em velocidade insalubre, somente uma boa linguagem de programação também não basta. Precisamos ser rápidos, muito, muito rápidos. Mesmo para linguagens não tão recentes, já existem soluções ótimas. Há vida além do Rails e Django!

Embora essas novas tecnologias sejam fascinantes, há um pequeno problema. Uma nova ferramenta leva a uma curva de aprendizado. Isso toma tempo, “tempo de processamento”, enfim, nos tirar de nossa zona de conforto. A questão é: devo eu partir pra outra? A minha resposta é: depende.

Tudo é relativo, e não há uma resposta pronta para esse tipo de pergunta. Você pode se sentir realmente confortável com certa linguagem, e conseguir ser extremamente produtivo com ela, ao passo que, mesmo conhecendo bem outras ferramentas, não consegue manter o mesmo ritmo. Nesse caso, sempre existem os frameworks. Não é necessário “reaprender a programar”, e ganha-se o benefício de um desenvolvimento mais rápido. Nesse caso, mudar de ares não é algo sensato a se fazer, principalmente se você tem um tempo escasso.

Já se você consegue ser produtivo em várias linguagens, opte por aquela mais moderna e robusta, ou continue buscando algo novo. Assim tem-se o benefício da versatilidade: não importa a ferramenta, importa saber fazer.

Meu caso é um pouco diferente. Apesar de trabalhar diariamente com PHP, nunca gostei da linguagem. Parece-me mais uma biblioteca de funções do que uma linguagem bem estruturada. Quando fui apresentado ao Ruby, me rendi. Apesar de não ter me aventurado muito ainda, é o que pretendo seguir. Não tanto por produtividade, nem tanto por “moda”, mas por gosto. Não deixa de ser um motivo válido…

Tenho certeza que esse assunto dá uma boa discussão. Qual sua opinião? Fixar-se em uma ferramenta e especializar-se nela, ou procurar algo diferente que melhore sua forma de trabalhar?

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Postado em maio 29, 2008 às 12:08

Comentários

  1. Bruno Paulino

    Gostei do artigo… Nos faz pensar… Mas eu faria um adendo:
    Trabalho com Java desde 2005, é uma plataforma robusta como você disse, e trabalho com Java até agora por gosto, como você citou com Ruby.
    Já vi algumas linguagens… E também vi Ruby… Alias, adorei, mas francamente, não tanto quanto Java. Estou desbravando Ruby, mas por curiosidade e hobby, não para motivos profissionais.

    Sendo assim, e complementando o que você falou no seu artigo, além da dúvida de Comodismo ou Inovação, eu tentaria encaixar a “Afeição” aí, pois com uma linguagem que se gosta, você está motivado a trabalhar e melhorar com ela. Não estou dizendo para sacrificar a produtividade tão exigida nos tempos atuais por gosto, mas que gostando, você vai melhorar seu desempenho naturalmente.

    Abraços


  2. Rodrigo Fante

    Somos 2 rendidos ao Ruby, tambem estou saindo da zona de conforto do PHP e comecando a estudar Ruby on rails.

    E conheco um pouco de JSP mas como tem pouco servidores e demanda nunca me aprofundei.


  3. JulioGreff

    @Bruno: concordo com você. Mesmo que eu fosse mais produtivo em PHP do que em Ruby (e no momento sou, ainda estou estudando), eu preferiria o Ruby justamente por gosto, me sinto muito mais confortável, até por ser mais parecida com JavaScript do que o PHP. Eu não considero isso se manter preso a uma linguagem, desde que você seja versátil o suficiente para migrar para outra linguagem caso seja necessário, seja em termos de mercado ou produtividade.
    @Rodrigo: bem vindo ao mundo dos rubis! Não sei até onde você já foi em Ruby, mas desde o começo nota-se que a linguagem é infinitamente superior a PHP, na minha opinião. Você que trabalha também com JavaScript vai se sentir à vontade!

    Até mais!


  4. Diogo Silva

    Hoje, eu acho que cada vez mais a linguagem é apenas “um mal necessário”, apenas uma questão de sintaxe. Realmente o que tem feito a diferença são as ferramentas(geradores,frameworks,etc…).

    Minha linguagem principal é PHP, e assim como vocês não invisto muito em outras por questão de demanda. Estudo muito java e pratico, mas pouca coisa “profissa”. E um pouco de python.

    Teve epoca que achei PHP a pior coisa do mundo, mas hoje me dou muito bem com a ela. Também estou gostando de python, mas ainda é preciso mais estudo para falar melhor rsrs. E Java é tudo muito bonito… mas não gosto. É a questão da afeição.

    Para terminar, finalmente, acho que aprender novas linguagens, ferramentas e frameworks acrescenta muito conhecimento válido, que pode em ultimo caso ser transferido para sua ferramenta preferida.

    Por hora é isso…

    PS1:aff que testamento.
    PS2:Acho que sou o único desenvolvedor que não esta correndo atrás de Ruby… rsrsrs
    PS3:O que os “javascripters” acham de Jaxer?


  5. Jader Rubini

    Eu não me considero um programador, embora seja apaixonado com server-side. Minha praia é mesmo o front-end.
    Mas, como amante da programação, já namorei PHP, desdenhei ASP e .NET, esnobei Java e cortejei Ruby. Ruby até me agradou mais que as outras, até que conheci Python e, mais tarde, Django.

    Nunca fiz nada realmente sério com Python mas, sem dúvida, é a linguagem que quero pra mim. Simples, limpa, poderosa e bastante produtiva.


  6. Walter Cruz

    Simples: saber UMA bem, e aprender milhares por diversão :D


  7. JulioGreff

    @Diogo: concordo contigo. Muita coisa que se aprende em uma linguagem pode ser transportada para outra. Macetes que aprendi em Rails foram transportados para Cake, muita coisa de JavaScript foi pra PHP (e de PHP pra JS também). Creio que algumas linguagens fazem alguma diferença sim, além da sintaxe (eu penso assim, pelo menos), mas não é nada que seja como “reaprender a programar” (embora para não-programadores deva ser). Quanto ao Jaxer, a idéia de JavaScript no back-end muito me fascina, mas pelo que ouvi falar de Jaxer, não foi dessa vez… Estou há tempos querendo dar uma espiada…
    @Jader: o “romance” entre você e Python é como eu e Ruby: gostei, mas ainda não fiz nada… E meus pêsames, trabalhar com ASP deve ter sido uma droga…

    Até mais!


  8. JulioGreff

    @Walter: Ops, pulei seu comentário… Disse tudo, amigo! Uma filosofia bem próxima a minha, diga-se de passagem.

    Até mais!


  9. Rafael Marin

    Pois é, eu também estou saindo da zona de conforto. PHP é legal para mim, não posso ser ingrato pois com ele é que venho desenvolvendo e ganhando dinheiro há alguns anos. Estou também estudando Ruby, esporadicamente, mas ainda quero aprender Python.


  10. Chris

    “(PHP) Parece-me mais uma biblioteca de funções do que uma linguagem bem estruturada.”
    O problema aí, até o PHP4, era a dificuldade de implementar orientação a objetos. Linguagens de programação meramente estruturadas podem cair nesse problema – C, Basic, ASP, etc…

    Acho eu que o importante não é conhecer a ferramenta, mas sim os conceitos da área em que você está implementando. Por exemplo, alguém que manja de PHP bem, consegue fazer aplicações ASP com uma certa facilidade.

    Abraço!


  11. JulioGreff

    @Chris: “Acho eu que o importante não é conhecer a ferramenta, mas sim os conceitos da área em que você está implementando. Por exemplo, alguém que manja de PHP bem, consegue fazer aplicações ASP com uma certa facilidade.” É por isso que acho importante conhecer várias linguagens, e não se especializar em somente uma e esquecer de todo o resto. O espírito é ser tão versátil quanto possível!


  12. Mounter

    Eu me adaptei muito bem ao PHP, sei criar muito rápidamente com ele, mas também não morro de paixões pela linguagem, prefiro muito mais C/C++ ou assembly.

    Mas como a Web anda me rendendo mais, ainda irei usar muito o PHP e quem sabe algum dia eu aprenda Rails, os tempos mudam as linguagens e ferramentas também.

    Abraços


  13. JulioGreff

    @Mounter: assembly? É, pelo jeito você não vai gostar muito de Rails…


  14. gisah

    Olá, gostei do assunto. É mais pra cada um pensar e tirar suas próprias conclusões, que as vezes entramos nesta área com uma visão bem bitolada e com tanta informação e tecnologias novas surgindo, se o desenvolvedor achou que era só dominar uma só linguagem ou um numero limitado de coisas pra ter uma carreira estável e que isso seria suficiente. Até pode ser se o cara tiver sorte hehe comecei com vb e depois passei pro java, a uns 3 anos e posso dizer que não domino tudo e é engraçado como o mercado mudou não só na área de informática, pra qualquer emprego hoje não é suficiente a pessoa só saber uma coisa. Todo dia enfrento um pouco de pressão até de mim mesma de estudar e aprender mais um pouco de tudo sempre … porque não é fácil ter tempo pra aprender um pouco de tudo, mas acho que essa é a saída…independente do que o desenvolvedor escolher como linguagem principal. A informação é a melhor coisa que poderemos adquirir … e sempre foi assim. Só que agora está muito mais rápido e é difícil de acompanhar. Tenho uma listinha bem grande de tecnologias que quero estudar mais, inclusive algumas que eu já trabalho mas não sei afundo como funciona :P…. haja tempo :P e daqui a um ano vai estar maior se eu não me mexer hehe desculpem o comment enorme ¬_|


  15. JulioGreff

    @Gisele: é verdade, hoje em dia quem pára está morto na profissão. Eu mesmo já estou me vendo meio apertado, estou vendo meus conhecimentos ficarem cada vez mais ultrapassados, e às vezes é difícil se manter atualizado, o tempo não ajuda mesmo… Mas também não adianta querer abraçar o mundo, então eu vou com calma e aprendo o que dá.

    Até mais!


  16. sabrina

    nao gostei porque nao era o que eu queria saber


  17. Vinicius

    Bem, mais de um ano depois do post, talvez ainda tenha minha opinião replicada.
    Provavelmente, hj vcs tenham paixões diferentes, hobbys diferentes tbm…
    Mas uma coisa é certo, progamadores são apaixonados por conhecimento, inovações (mais até do que pelo comodismo).
    O novo enche nossos olhos com facilidades e vantagens (JQuery, Cake, etc.), em contra-partida, o bom e “velho” se renova, orienta objetos, brinca com XML, deita e rola…
    Eu quero aprender mais a cada dia, nem que seja só por diversão! ^^

    @Mounter: Ja programei desktop, assembly e web, e posso te dizer, são tres mundos completamente diferentes!
    Na minha opinião, o mais fascinante é a programação web, ja que estamos vivendo tempos de mudanças e adaptações… Torço pela web e por esse grupo de desenvolvedores que expõem suas visões e conhecimentos, sem se trancar em um quarto e ficar “colando diodos e transistores”. ^^


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